Aprovada a lei da Mata Atlântica
O plenário da Câmara dos Deputados aprovou em votação final, o Projeto de Lei 3285, de 1992, que consolida os limites da Mata Atlântica, atribui função social à floresta e estabelece regras para seu uso. Chega ao fim um debate que se prolongou por 14 anos no Congresso Nacional. Esse é um marco importante na preservação do bioma. Com a legislação consolidada, será mais fácil proteger a Mata Atlântica, cuja área compreende menos de 8% da sua cobertura original atualmente, mas encontra-se em bom estado de conservação.

"Após 14 anos, com o esforço da sociedade, com o entendimento dos diferentes partidos, com a determinação e o compromisso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assumido na Convenção sobre Diversidade Biológica, temos hoje a aprovação do instrumento que vem contribuir para a preservação de menos de 8% do que ainda resta da Mata Atlântica", comemorou, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

Ela lamentou o fato de que nos últimos 14 anos, o bioma perdeu em média 100 mil hectares anualmente. "Mas é uma benção da democracia e da responsabilidade socioambiental que, daqui para frente, nós não só poderemos poupar 100 mil hectares por ano, mas resguardar em toda a parte a vigorosa mata que abriga os sonhos e lutas do movimento socioambiental brasileiro", destacou.

A aprovação foi possível após um acordo entre os líderes dos partidos na Câmara. Eles decidiram rejeitar o artigo 13, introduzido no texto pelo Senado, que amenizava o conteúdo do artigo 46, inserido pelos próprios deputados ainda nas primeiras votações e que tratava de indenizações. No acordo de líderes, ficou decidido que o Ministério do Meio Ambiente vai recomendar o veto do artigo 46 ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sancionará o projeto.

Para o secretário de Biodiversidade e Florestas do ministério, João Paulo Capobianco, o acordo é uma vitória. "O artigo 46 criaria uma potencial indústria de indenizações. Defendemos, desde o início, que não fosse feita referência a indenizações nesse projeto. Afinal, já existe uma lei que trata especificamente do assunto.

A recomendação desse veto já está praticamente pronta", explicou Capobianco. "Esse projeto muda completamente a história da Mata Atlântica. Finalmente, teremos uma série de mecanismos, incentivos e procedimentos que apóiam quem preserva, recompensam os que protegem o meio ambiente. O rigor das punições dos que insistem em degradar também aumenta. Ele foi apreciado na Câmara, depois no Senado e, agora, novamente na Câmara; todas essas votações aconteceram durante a atual gestão", salientou o secretário.

O projeto, de autoria do ex-deputado Fábio Feldman, permite a quem é proprietário de uma área com vegetação nativa, maior do que a extensão estipulada pela lei (20% da propriedade deve ser protegida como reserva legal, além de áreas de preservação permanente, como margens de rio), alugar uma parte da floresta para aquele que desmatou toda a sua propriedade e precisa legalizar a situação com o governo. Com isso, a floresta passa a ser considerada patrimônio com valor, passa a ser área produtiva.

O governo acredita que, com esse mecanismo, será possível conter a destruição da Mata Atlântica. Afinal, a degradação no bioma avançou nos últimos anos sob a justificativa de que, como área improdutiva, a floresta poderia ser desapropriada para fins de assentamento rural ou loteamento.
A partir da nova lei, os proprietários com passivos ambientais terão ainda outra opção: poderão adquirir e doar ao governo áreas de Unidades de Conservação (UCs) equivalentes ao que deveria ser a reserva legal da propriedade.

Além disso, incentivos fiscais e econômicos estão previstos, no novo marco legal, para os proprietários de terras na Mata Atlântica que têm área com vegetação nativa primária, conhecida como mata virgem ou secundária, em estágio avançado e médio de regeneração, aquelas resultantes de um processo natural de recuperação.

A nova lei define critérios para proteger esse tipo de vegetação. Quanto maior o grau de preservação da área, maior o número de critérios para orientar o seu uso. Ao contrário do que é comum na legislação ambiental, o projeto aprovado pela Câmara dos Deputados não apenas proíbe ações no bioma. Ele permite a exploração racional da Mata Atlântica, desde que as rígidas regras para a preservação sejam respeitadas.

A nova lei destina para agricultura, ou para loteamentos, as áreas onde o processo de regeneração dos remanescentes da Mata Atlântica está em fase inicial, ou seja, onde a vegetação teve menos de 10 anos para se recuperar. Mesmo assim, essa ocupação deve levar em conta a legislação que já está em vigor, como a exigência da proteção de nascentes e a reserva legal. No projeto, consta que cabe ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) definir o que é vegetação primária e secundária e quais são seus diferentes estágios de preservação. Definição, essa, que já foi feita e que deverá ser ajustada a partir de agora. A nova legislação ainda cria o Fundo de Restauração do Bioma Mata Atlântica para financiar projetos de restauração ambiental e pesquisa científica.

Quanto às penalidades, o projeto aprovado incrementa a Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que impõe sanções aos que desrespeitam os critérios de preservação, causando danos à fauna, à flora e aos demais atributos da vegetação nativa. Assim, quem destruir ou danificar a vegetação primária ou secundária, em estágio avançado ou médio de regeneração, poderá ser punido com detenção de um a três anos e multa.

Conheça melhor a Mata Atlântica

Quando os portugueses chegaram ao Brasil, o país tinha 1,3 milhão de Km² de Mata Atlântica. Ou seja, 15% do território brasileiro era coberto pelas diferentes formações florestais do bioma. Hoje, a extensão da Mata Altântica está reduzida a aproximadamente 102 mil Km.

Esse é o resultado da exploração predatória, que teve início com a colonização portuguesa e, ao longo do tempo, só cresceu. De 1990 a 1995, mais de 500 mil hectares foram destruídos para dar lugar à expansão das cidades, aos assentamentos de reforma agrária, à pecuária e ao plantio de pinus e de eucaliptos para produzir a lenha que será utilizada na secagem do fumo.

A floresta também sofre com o chamado "corte seletivo": a derrubada de árvores com mais de 40cm de diâmetro. Assim, os melhores exemplares de perobas, cedros, araucárias, imbuias e outras espécies nobres foram e são retirados da Mata Atlântica. Sobram árvores frágeis, tortas e raquíticas e poucas em fase adulta, quando são capazes de produzir sementes.

Em algumas regiões, o bioma é caracterizado por árvores emergentes de até 40 metros de altura e densa vegetação arbustiva. Em outras, é caracterizado pela mata de araucárias. Há áreas que são constituídas por fartas árvores de 25 a 30 metros, que perdem as folhas durante o inverno.

A Mata Atlântica se desenvolve ao longo da costa brasileira, do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte. Ela abrange, total ou parcialmente, 3.409 municípios em 17 estados. Em alguns deles, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, estende-se pelo interior, até os limites com a Argentina e Paraguai. Nela, são gerados 70% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, o que justifica a sua importância estratégica para o desenvolvimento sustentável.

O bioma ajuda a regular o clima, a temperatura, a umidade e as chuvas. Beneficia 120 milhões de brasileiros. Assegura a fertilidade do solo, protege escarpas de serras e encostas de morros. Também preserva as nascentes e fontes, regulando o fluxo dos mananciais de água que abastecem cidades e comunidades do interior.

Considerada Patrimônio Nacional pela Constituição Federal, a Mata Atlântica é um dos biomas mais ricos do mundo em biodiversidade. Estudos recentes revelam que ela pode possuir a maior diversidade de árvores do planeta. Nela são encontras espécies endêmicas, que não ocorrem em nenhum outro lugar. É o caso de 73 espécies de mamíferos, dentre elas, 21 espécies e subespécies de primatas.

Das 627 espécies ameaçadas de extinção, segundo levantamento de 2003 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), a Conservation Internacional aponta que 185 vertebrados, 118 aves, 16 espécies de anfíbios, 38 mamíferos e 13 espécies de répteis pertenciam à Mata Atlântica.





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Comitê discute financiamento para eliminação de HCFCs



04/04/2008
Gisele Teixeira



O Ministério do Meio Ambiente participa, de 7 a 11 de abril, no Canadá, da 54ª Reunião do Comitê Executivo do Fundo Multilateral para Implementação do Protocolo de Montreal. No encontro, que congrega 14 países, serão discutidas diretrizes e critérios de financiamento para elaboração e implementação dos Planos Nacionais de Eliminação dos Hidrofluorcarbonetos (HCFCs), gases usados como fluidos refrigerantes em geladeiras e aparelhos de ar-condicionado, que destroem a camada de ozônio e possuem potencial de efeito estufa. Em 2008, o Brasil não tem assento no Comitê (renovado anualmente), e participa como convidado do Uruguai, um dos três países representantes da região da América Latina e Caribe, ao lado de Santa Lúcia e México.

É a primeira reunião do Comitê após a decisão dos países-parte do Protocolo de Montreal, em setembro de 2007, de antecipar o fim do consumo e da produção dos HCFCs. Conforme o ajuste, em 2013, os países em desenvolvimento deverão congelar os níveis de consumo, conforme os registros de 2009, e de produção, a partir do que foi registrado em 2010. Dois anos depois, deverá haver uma redução de 10% em relação a 2009/2010. Em 2020, essa redução deverá ser de 35% e, em 2025, de 67,5%. Tudo isso para eliminar completamente os HCFCs em 2040. Para os países desenvolvidos, o cronograma será mais rígido, com eliminação de 90% já em 2015. Pela regra anterior, o consumo poderia crescer indiscriminadamente até 2015, quando seria congelado. A eliminação só se daria em 2040, sem cronograma intermediário.

De acordo com o diretor do Departamento de Mudanças Climáticas da Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do MMA, Ruy de Góes, o Brasil tem grande interesse nesta reunião, pois serão definidos os critérios de distribuição dos recursos que irão financiar a eliminação dos HCFCs nos países em desenvolvimento. "Os países ricos já se comprometeram em pagar a conta. O que está em discussão agora é qual o valor dessa conta e como ela será paga", explica. O Comitê Executivo é responsável pelo gerenciamento dos recursos que serão utilizados, inclusive, para financiar a conversão das indústrias, modernizando o parque nacional com tecnologias de menor impacto ambiental

A antecipação em dez anos da eliminação desses gases, no caso dos países em desenvolvimento, poderá significar que a camada de ozônio se recupere aos níveis da década de 80 em um prazo menor. Estimativas preliminares sugerem que o benefício para o clima será bastante significativo - o novo cronograma pode corresponder a um ganho de aproximadamente 20 bilhões de toneladas de CO2 equivalente, principal gás causador do efeito estufa.



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Grupo Assessor faz primeira reunião para revisar Regimento Interno do Conama

04/04/2008



O Grupo Assessor de Revisão do Regimento Interno do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) fará, na quinta-feira (10), sua primeira reunião. No encontro devem ser definidos o relator do grupo, além dos objetivos, metodologia e cronograma de trabalho para os próximos encontros. A reunião será na sede do Ministério do Meio Ambiente, sala 522.



Entre as propostas de alteração no texto do regimento estão a inclusão das deliberações das Conferências de Meio Ambiente na Agenda Nacional de Meio Ambiente e a alteração no número de integrantes das Câmaras Técnicas passando dos atuais sete membros para 10. Se aprovada, a mudança permitirá que cada segmento representado no conselho tenha duas vagas em cada uma das Câmaras Técnicas.
Também no dia 10, o grupo de trabalho sobre Adaptação à Mudança do Clima apresentará, aos integrantes da Câmara Técnica de Economia e Meio Ambiente, seu relatório final que sugere, entre outras medidas, que o Conama seja um dos instrumentos de participação pública no processo de elaboração do Plano Nacional sobre Mudança do Clima. A reunião será no Ibama Centre, na quadra 5 do Setor de Autarquias Sul, a partir das 9h30.

Na mesma semana, dias 7 e 8, haverá reuniões da Câmara Técnica de Assuntos Jurídicos e do Grupo de Trabalho de Espécies Exóticas; nos dias 8 e 9, se reúne a Câmara Técnica de Educação Ambiental. Entre os temas a serem analisados está a proposta de inserção do conteúdo "Bacias Hidrográficas Locais" na grade curricular do ensino fundamental brasileiro e a proposta de resolução que dispõe sobre a introdução, reintrodução e translocação de espécies exóticas em ambientes aquáticos.

Os locais e temas discutidos nas Câmaras Técnicas e Grupos de Trabalho estão disponíveis no endereço www.mma.gov.br/conama.


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